quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Eu amo os Atores

Plinio Marcos
Eu amo os atores nas suas alucinantes variações de humor,
nas suas crises de euforia ou depressão.
Amo o ator no desespero de sua insegurança, quando ele,
como viajor solitário, sem a bússola da fé ou da ideologia,
é obrigado a vagar pelos labirintos de sua mente, procurando
no seu mais secreto íntimo afinidades com as distorções de caráter que seu personagem tem.
E amo muito mais o ator quando, depois de tantos martírios,
surge no palco com segurança, emprestando seu corpo,
sua voz, sua alma, sua sensibilidade para expor sem nenhuma
reserva toda a fragilidade do ser humano reprimido, violentado.
Eu amo o ator que se empresta inteiro para expor para a platéia
os aleijões da alma humana, com a única finalidade de que seu
público se compreenda, se fortaleça e caminhe no rumo de um
mundo melhor, que tem que ser construído pela harmonia e pelo amor.
Eu amo os atores que sabem que a única recompensa que podem
ter – não é o dinheiro, não são os aplausos - é a esperança de poder rir todos os risos e chorar todos os prantos.
Eu amo os atores que sabem que no palco cada palavra e cada gesto são efêmeros e que nada registra nem documenta sua grandeza.
Amo os atores e por eles amo o teatro e sei que é por eles que o teatro é eterno e que jamais será superado por qualquer arte que tenha que se valer da técnica mecânica.

Plínio Marcos

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